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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 12/38

Peguei repulsa do Tim Festival

Max Eluard  Mas esse cara não está consumindo música, está consumindo um “auê”, uma imagem que foi criada em seu imaginário e que ele tem de fazer parte.
Pedro Alexandre  Eu diria mais: muitos estão comprando o telefone Tim e ajudando a financiar uma coisa que está acabando com a indústria fonográfica. Na verdade é uma coisa autofágica. Por que o telefone ocupa os cadernos culturais? Isso não é um sinal? Não sei quem perguntou se existe jornalismo cultural ainda, mas na medida que a Tim compra tudo ali…
Ricardo Alexandre  Vou fazer o papel de advogado do diabo.
Pedro Alexandre  Diabo também conhecido como? [risos]
Ricardo Alexandre  Qual o interesse que o leitor teria se o cara não fosse cobrir o festival?
Pedro Alexandre  Não, o leitor é igual ao jornalista, são pessoas que comungam as mesmas coisas. Ali tem uma unidade, seja qual for. Se todo mundo parasse de ir no Tim Festival, a Tim pararia de patrocinar e não teria mais nenhuma capa no ano que vem.
Matias  Vide o Claro que é Rock. [n.e. Festival de música que aconteceu em 2005 e que trouxe artistas como Iggy Pop, Sonic Youth e Nação Zumbi, além de revelar bandas brasileiras]
Pedro Alexandre  Foi assim?
Matias  Foi.
Max Eluard – Mas, Ricardo, acho cruel você falar isso porque o cara também não tem opção.
Matias  Exato.
Pedro Alexandre  A opção é não comprar o jornal.
Max Eluard  Como ele vai escolher? Ele não tem outras opções para escolher.
Tacioli  A opção não estaria nos veículos?
Pedro Alexandre  Como assim?
Tacioli  Sei lá, uma editoria poderia dizer “Não vamos abordar esse tema”.
Ricardo Alexandre  Então, qual a vantagem que o leitor teria?
Pedro Alexandre  Esse discurso é tácito, isso é clandestino, não tem essa conversa, porque é a coisa mais interessante que vai acontecer no ano. Isso é inquestionável! Deu para Folha, com exclusividade, que a Björk vem. Como a Folha não vai dar capa dizendo que a Björk vem? Ela vai dar correndo.
Matias  Se ela não der, o Estadão vai dar.
Pedro Alexandre  Desculpa, mas eu não sei o que rola no subterrâneo. Gostaria muito de saber. Nós não sabemos. Isso não é nem conversado. É o dono da Tim com o dono da Folha. Só eles podem saber, se é que existe, não estou afirmando. Eu acho isso muito esquisito. Eu cansei, peguei repulsa do Tim Festival, porque não suporto mais as capas mensais de todo mundo. Aquilo me agride, sabe? Não que não vou nunca mais, sou livre…
Matias  Se eu te encontrar lá no meio com a credencial… [risos]
Pedro Alexandre  Eu acho que eles sabem disso. Eles não fazem nenhuma questão que’u esteja presente. É uma coisa dupla.

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Jornalismo cultural
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