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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 9/38

O cara pediu desculpa por ter feito o disco

Max Eluard  O que movia isso? Era para ser amigo do artista?
Matias  Ego mesmo.
Ricardo Alexandre  Tem um pouco de ego, sempre tem…
Pedro Alexandre – Mas tem de pensar no cansaço desse polemismo.
Ricardo Alexandre  Tem a ver com isso também e, embora eu seja da geração do Pedro, quando cheguei na grande imprensa já estava meio assim com isso. Fui o enfant terrible somente do Jornal de Jundiaí. [risos]
Pedro Alexandre  Você de algum jeito é polemista, mas um pouco mais solto, sem aquele compromisso…
Max Eluard  Sem aquela obrigação de ser polemista, né?
Pedro Alexandre  Tem uma questão que é a agressividade.
Ricardo Alexandre  Aconteceu um caso de eu detonar muito bem detonado um disco de uma banda dos anos 90 e o cara me ligar para pedir desculpa por ter feito o disco. [risos]
Pedro Alexandre  Vai citar nomes ou…
Ricardo Alexandre  O cara ligou e falou “É que a gente gravou o disco com pressa, não deu tempo e tal”. [risos]
Pedro Alexandre  Comigo não acontecia isso.
Matias  Era artista novo?
Ricardo Alexandre  Não, na época era artista estabelecido.
Matias  Você não vai falar quem é?
Pedro Alexandre  Você não vai contar?
Ricardo Alexandre  Ah, não, cara, faz tempo. [risos]
Matias  Começa com vogal ou consoante? [risos]
Almeida  O cara gravou um disco melhor depois? [risos]
Ricardo Alexandre  “Quantas sílabas?” [risos]
Pedro Alexandre  Faz mímica.
Ricardo Alexandre  Lembra daquela cena de O jovem Frankenstein [n.e. Comédia de Mel Brooks lançada em 1974 ], do monstro estragulando o cara?
Tacioli  Cante um sucesso deles. [risos]
Matias  Esse é o problema. [risos]
Ricardo Alexandre  Não posso falar porque o Arnaldo Branco fez uma matéria sobre essa banda que está se acabando no interior paulista [risos], e os caras ficaram bravos… Então a gente não deve falar isso deles.
Dafne  Está explicado. [n.e. Raimundos, matéria publicada na Bizz 209, de janeiro de 2007]
Pedro Alexandre  Mas só uma coisa ainda sobre o polemismo. Você estava falando que se passaram dez anos e que ninguém mais polemizava. As duas coisas andavam juntas, porque havia o falso polemismo. Eu, por exemplo, polemizava sozinho. Podia até haver mais pessoas falando mal, mas não era um diálogo, sabe? E esse formato serve pra quê? É muito mais legal eu escrever no meu blog e o cara me xingar na hora e eu responder se quiser. E essa molecada de agora tem esse referencial. Para que serve, qual a vantagem? Sou da teoria que ninguém quer mais isso.
Ricardo Alexandre  Eu acho que ninguém quer também, ainda mais nessa altura do campeonato, do tamanho que é a música…
Pedro Alexandre  O polemista é um lado da moeda. O outro lado dessa mesma moeda é o cara que fala bem de todo mundo, que gosta de todo mundo, que puxa o saco e quer ficar amigo do artista.
Matias  E uma coisa não exclui a outra, né?
Ricardo Alexandre  Não.
Matias  Às vezes o cara é polemista para umas coisas e é puxa-saco para outras. Isso é bem comum, aliás.
Pedro Alexandre  Tem muita coisa que ficou: a Folha de S. Paulo era quem metia pau em todo mundo e o Globo, no Rio, era quem gostava de todo mundo. Daí carioca é ensolarado, legal, e paulista só tem fígado, né?
Ricardo Alexandre  É.
Pedro Alexandre  Um lado complementava o outro, porque sempre havia alguém falando mal do disco fulano na Folha e alguém falando bem desse mesmo disco no outro jornal.

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Jornalismo cultural
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