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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

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Jornalismo aberto para balanço

Entrevistar figuras que não são artistas, mas que têm uma relação estreita com a música brasileira, é um dos parágrafos da carta de intenções do Gafieiras. Apesar de contar com mais de 30 entrevistas publicadas nas costas, apenas uma respeita essa exigência: aquela que fizemos com o produtor Fernando Faro, responsável pelo programa Ensaio, da TV Cultura.

Desta vez, o objetivo era juntar três importantes e próximos jornalistas musicais, embaralhar suas diferentes histórias profissionais e conversar sobre mundos que já não existem mais, outros que estão se formando e aqueles que ainda estão por surgir. Afinal, de uns anos para cá toda a cadeia musical – de sua produção e consumo à divulgação, comercialização e história – sofreu uma grande reviravolta, principalmente motivada pela popularização de novas tecnologias. Assim, três jornalistas que não são encantados com o meio, que pensam a música (principalmente a pop e a mpb) e o que a circunda, indicaria um ponto-de-vista diferente do artista ou do consumidor. Foram mais de três horas bem-humoradas movidas a café e água, pura e simplesmente. Papo quente, atual, reflexivo, provocativo, cheio de idas e vindas e de contradições.

O primeiro a chegar foi Pedro Alexandre Sanches, o homem que personalizou a seção de música da Folha de S. Paulo durante parte dos anos 1990 e 2000. Pouco depois, o último editor da finada revista Bizz, Ricardo Alexandre, toca a campainha. Alexandre Matias, cidadão de extensa ficha corrida e hoje editor do Link, caderno de cultura digital d’O Estado de S. Paulo, finalmente completa o trio e a não-entrevista toma corpo, estende-se e ramifica-se.

Diferentemente do ideário da imparcialidade jornalística, a conversa em que estes três rapazes não somente são interrogados, mas interrogam-se, revela rachaduras na imprensa que lida com a indústria cultural, suas armadilhas, seus equívocos e suas mentiras. E vai além ao dissecar como encaram suas carreiras, pescar detalhes de suas vidas fora da redação, e se ainda há espaço para a música como fomentadora de comportamentos, de ídolos e de visões de mundo. Uma das questões que ficaram sobre a mesa é porque uma revista que estampa em sua capa um xaxim ou uma tomada vende mais que aquelas com John Lennon, Renato Russo e Bob Marley. Sinal dos tempos? Tire suas próprias conclusões.

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Jornalismo cultural
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