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Nunca é tarde Urgente e oportuna e atual, a entrevista realizada em 2007 com os jornalistas Alexandre Matias, Pedro Alexandre Sanches e Ricardo Alexandre mapeou alguns brejos da relação jornalismo-indústria cultural-meio artístico-público. Num certo momento da conversa que se estendeu por mais de três horas, Pedro Alexandre convoca: “Vamos fazer biografias!”, referência à sentença da Justiça que proibiu a venda do livro Roberto Carlos em detalhes, do historiador e jornalista Paulo Cesar de Araújo.
Uma intimação similar – mas não judicial - ronda a redação virtual do Gafieiras desde sua fundação, em 2001. O desejo de mostrar histórias da música brasileira em diferentes formatos, tendo a estética como um dos discursos, fez quatro amigos de formações diversas criar um site de longas entrevistas e alguns projetos fora do meio eletrônico. Hoje está mais fácil ser protagonista de qualquer coisa. A tecnologia da informação está ainda mais próxima daqueles que, até pouco tempo, eram exclusivamente consumidores. Consumidores de disco, jornais, telefone, televisão, VHS/DVDs, livros, fotografia. A reviravolta digital começou e todo mundo pôde ansiar pelo papel de jornalista, documentarista, escritor ou fotógrafo. Os meios de produção – de um computador à filmadora – baratearam e seus usos alimentam Youtube, comunidades virtuais, myspace, second life, messenger, blogs, flickr e outras ferramentas que aparentemente dissolveram as amarras que prendiam o sujeito aos grandes veículos e o tornaram agente. Apesar de toda parafernália tecnológica, do aumento do número de publicações e dos conteúdos eletrônicos, de projetos patrocinados, de shows e de livros, dos programas de TV, de blogs para downloads de discos raros e vulgares, a divulgação das histórias da música brasileira ainda se vê pela fresta. Sua exposição em diferentes meios é desproporcional à sua quantidade e variedade. É preciso registrar e refletir sobre todas as músicas do Brasil. É aí que o país se conhece. É aí que ele se torna único. E exportável, se preferir. Não é impressionante que um livro como o revelador Eu não sou cachorro não, do citado Paulo Cesar de Araújo, seja um dos poucos a tratar da música cafona, que vendeu milhões de discos e animou tantos bailes, sonhos, amores e churrascos? Bom, é hora de filmar, fotografar, escrever, pesquisar, inventar, publicar e questionar a música brasileira. Nunca esteve tão fácil fazer algo. [ novembro | 2008 ] Leia também
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